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Google e Repsol se unem para melhorar eficiência no refino.

David Ramos/Bloomberg

A Repsol, a grande companhia espanhola de energia, está se unindo ao Google para empregar a tecnologia de "Big Data" e as ferramentas de inteligência artificial do grupo da internet em suas refinarias, no sinal mais recente de como as empresas de petróleo estão recorrendo ao Vale do Silício para reduzir os custos e aumentar as margens.

As empresas de energia estão sendo forçadas a reduzir os gastos desde o "crash" dos preços do petróleo em 2014, com frequência usando novas tecnologias para se tornarem mais eficientes e, cada vez mais, aumentar as receitas.

Tais iniciativas serão muito importantes na medida em que as gigantes do petróleo e gás enfrentam uma mudança em direção a combustíveis mais limpos, o que significa que os concorrentes tradicionais terão de ser tornar mais lucrativos para competir.

A Repsol usará a Cloud ML, a ferramenta de aprendizado de máquina do Google, para melhorar o desempenho de sua refinaria de petróleo de Tarragona, que processa 120 mil barris de petróleo por dia na costa leste da Espanha, perto de Barcelona.

Uma refinaria é formada por múltiplas divisões, incluindo a unidade que destila o petróleo bruto em vários produtos que então são processados em combustíveis como a gasolina e o diesel, e a unidade que converte óleos residuais pesados em produtos mais leves e mais caros.

A tecnologia do Google será usada para analisar centenas de variáveis que medem pressão, temperatura, fluxos e taxas de processamento, entre outras funções, em cada unidade de Tarragona. A Repsol espera com isso aumentar suas margens em 30 centavos de euro por barril na refinaria e pretende empregar essas tecnologias em suas outras cinco refinarias.

As empresas de energia estão cada vez mais interessadas em usar o tipo de analítica frequentemente empregada por companhias como o Google e a Amazon em dados do consumidor em suas operações, permitindo a melhoria do desempenho dos equipamentos de perfuração e ajudando a melhorar os retornos das refinarias.

"Até recentemente, as companhias de petróleo e gás não tinham as ferramentas ou habilidades necessárias para operar esses ativos em sua capacidade máxima", afirmou a companhia de serviços profissionais McKinsey em relatório recente. "As ferramentas e técnicas de analítica estão avançando muito e rapidamente."

As operações de pós-produção da companhia, que inclui o refino, comercialização e distribuição, geraram lucro operacional de EUR 558 milhões entre janeiro e março, menor que a do mesmo período de 2017, que foi de EUR 663 milhões. O resultado foi em parte atribuído às margens menores enquanto os preços do petróleo subiram.

A Repsol afirma que o uso da Inteligência Artificial em todas as suas refinarias poderá levar a uma receita adicional anual de US$ 100 milhões em suas operações de pós-produção. O Google não respondeu a um pedido de entrevista.

María Victoria Zingoni, diretora executiva de pós-produção da Repsol, disse que a Inteligência Artificial foi aplicada até agora em cerca de 30 variáveis em uma refinaria, mas esse número vai crescer para 400. "Isso é, em parte, um projeto muito maior de melhoria dos processos industriais em toda a companhia", disse ela.

Consultores de energia e analistas preveem que a automação poderá levar a demissões no longo prazo. A Repsol disse não acreditar que o emprego da Inteligência Artificial do Google a forçará a reduzir sua força de trabalho. "Estamos falando de fortalecer as habilidades do nosso pessoal", disse María Victoria. "Não estamos demitindo ninguém. Isso nãoé uma disputa do homem contra a máquina", afirmou.

 

Fonte: Valor Econômico